14 julho 2009

Cada sociedade tem o futebol que merece.

Mais uma vez o ano termina mais cedo para o futebol riograndino, São Paulo e Rio Grande se despediram já na segunda fase da competição, deixando como única possibilidade de assistir a uma partida de futebol profissional a televisão.
Fico me indagando de como pode nossos clubes tão tradicionais estar perdendo espaço para clubes fundados recentemente, vindos de cidades pequenas, sem torcida, sem história, sem títulos e sem tradição. A resposta é dinheiro, investimento, patrocínio. Nossos clubes vivem ou sobrevivem sem nenhum aporte financeiro que lhes de uma segurança para que possa ser feito um planejamento ao longo do ano, enquanto isso, times até então desconhecidos vêm a Rio Grande jogar com nossos clubes com 3, 4 e até 5 patrocínios em seus uniformes, sem falar é claro do apoio político a esses clubes.
Infelizmente, não se faz mais futebol somente com tradição, camisa e torcida, é preciso investimento e na nossa cidade, com inúmeras indústrias mundialmente conhecidas, verdadeiras potências econômicas, chega a ser vergonhoso o descaso com que são tratados os clubes de futebol, além de outros esportes e atividades culturais em nosso município. Temos tudo para fazer de nossos clubes mais uma vez grandes forças do estado do Rio Grande do Sul, pois uma cidade que possui o clube de futebol mais antigo do Brasil e um time com uma torcida como a do São Paulo não pode ficar na penúria da Segunda Divisão por tanto tempo, sem mencionar o ostracismo, apesar da teimosia, que representa o Riograndense.
Outra questão que reforça a fragilidade de nossas equipes é o descaso com que grande parte da população riograndina trata nosso futebol, pois temos uma infeliz cultura de apoiar e prestigiar o que é dos outros e menosprezar o que é nosso. Muitas pessoas que gostam de futebol preferem se associar aos clubes de Porto Alegre do que aos nossos, pagam R$ 150,00 por uma camiseta da dupla Gre-Nal e acham caro pagar R$ 70,00 por uma da dupla Rio-Rita, gastam mais de uma centena de reais pra ir a capital assistir a um jogo e reclamam do ingresso a R$ 10,00 em Rio Grande. São coisas que não dá para entender.
Não estou dizendo que não devemos ter uma preferência clubística na capital, até por que isso é uma cultura do futebol, mas tenho convicção que temos que ter como primeira opção um clube de nossa cidade e se temos que consumir algo, que seja dos clubes daqui, pois são eles que representarão a cidade do Rio Grande e a nossa comunidade.
Sendo assim, digo que cada sociedade tem o futebol que merece e se atualmente vivemos um momento tão pobre no que diz respeito aos clubes de futebol é por que nossa sociedade (a população, forças políticas e econômicas) assim o quer. Enquanto isso continuemos assistindo jogos pela televisão e ouvindo saudosas histórias das conquistas dos nossos, um dia grandes, clubes riograndinos.

Um comentário:

  1. É isso aí, tens toda razão, infelizmente o povo ainda é pobre de cultura, os governantes, não pensam nos clubes rio grandinos, enfim só uma pequena gama dessa população tem que lutar e fazer algo, para que um dia nossos times voltem a brilhar...

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