16 julho 2009

Futebol e Religião: culturas indissociáveis no Brasil.

A religião e o esporte são sem dúvida duas das mais fortes representações culturais da humanidade e, em princípio, poderíamos dizer que elas em nada coincidem. Contudo, é sabido que o Brasil possui uma imensa diversidade cultural, são distintas culinárias, vestimentas, sons, cores, sabores e credos e que de uma maneira ou de outra essa heterogeneidade acaba se convergindo para uma única manifestação cultural.
O Brasil é um país religioso, sendo o maior país católico do mundo, além de suas outras tantas religiosidades, desde as afro-brasileiras até as evangélicas. Também somos conhecidos mundialmente ou pelo menos assim nos denominamos, “o país do futebol”. Logo, em uma sociedade que acaba por misturar tantas manifestações culturais em suas vivências, a religião está presente, e muito fortemente no futebol brasileiro. Basta observarmos a fala dos jogadores, as declarações nas camisetas que estão por baixo do uniforme, as expressões corporais como fazer o sinal da cruz ou levantar as mãos pro céu, entre tantas outras.
Sendo assim, logo após a conquista da Copa das Confederações disputada na África do Sul, jogadores e a comissão técnica da seleção brasileira ajoelharam-se ao chão e abraçados em círculo rezaram em pleno gramado, para o mundo todo ver. No entanto, tal atitude foi repudiada pela FIFA e por Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa de Futebol que afirmou que "a religião não tem lugar no futebol".
Contudo, afirmo que a religião é parte preponderante do futebol no Brasil. Através de um estudo etnográfico sobre a relação entre o futebol e a religião, com vivência em vestiários, entrevistas com profissionais do futebol e conversas informais com pessoas ligadas a esse esporte, estou percebendo e constatando como a religião está presente dentro de um clube de futebol. Crenças, rezas, ritos e superstições fazem parte da preparação para o jogo, assim como o treino, a preleção, o aquecimento e o fardamento, ou seja, pelo menos no Brasil, a religiosidade é parte do futebol.
A religião no futebol brasileiro está muito além do que o senso comum possa imaginar ou ver, como entrar com o pé direito no campo, fazer o sinal da cruz ou orar com as mãos levantadas para o céu no meio do gramado. A fé, independente de religião ou credo, possui no futebol um tempo e um espaço reservado, imutável e que é seriamente respeitado pelas pessoas que fazem parte do futebol.
É uma pena que a entidade que comanda o futebol no mundo e pessoas ligadas ao esporte tenham uma visão tão etnocêntrica, a ponto de desrespeitarem uma cultura, seja por desconhecimento, o que acho pouco provável, seja por excesso de poder e de autoridade. Fazendo do futebol, tão somente mais um esporte mecanizado e economicamente interessante, sem levar em consideração os costumes que caracterizam e identificam cada nação.

14 julho 2009

Cada sociedade tem o futebol que merece.

Mais uma vez o ano termina mais cedo para o futebol riograndino, São Paulo e Rio Grande se despediram já na segunda fase da competição, deixando como única possibilidade de assistir a uma partida de futebol profissional a televisão.
Fico me indagando de como pode nossos clubes tão tradicionais estar perdendo espaço para clubes fundados recentemente, vindos de cidades pequenas, sem torcida, sem história, sem títulos e sem tradição. A resposta é dinheiro, investimento, patrocínio. Nossos clubes vivem ou sobrevivem sem nenhum aporte financeiro que lhes de uma segurança para que possa ser feito um planejamento ao longo do ano, enquanto isso, times até então desconhecidos vêm a Rio Grande jogar com nossos clubes com 3, 4 e até 5 patrocínios em seus uniformes, sem falar é claro do apoio político a esses clubes.
Infelizmente, não se faz mais futebol somente com tradição, camisa e torcida, é preciso investimento e na nossa cidade, com inúmeras indústrias mundialmente conhecidas, verdadeiras potências econômicas, chega a ser vergonhoso o descaso com que são tratados os clubes de futebol, além de outros esportes e atividades culturais em nosso município. Temos tudo para fazer de nossos clubes mais uma vez grandes forças do estado do Rio Grande do Sul, pois uma cidade que possui o clube de futebol mais antigo do Brasil e um time com uma torcida como a do São Paulo não pode ficar na penúria da Segunda Divisão por tanto tempo, sem mencionar o ostracismo, apesar da teimosia, que representa o Riograndense.
Outra questão que reforça a fragilidade de nossas equipes é o descaso com que grande parte da população riograndina trata nosso futebol, pois temos uma infeliz cultura de apoiar e prestigiar o que é dos outros e menosprezar o que é nosso. Muitas pessoas que gostam de futebol preferem se associar aos clubes de Porto Alegre do que aos nossos, pagam R$ 150,00 por uma camiseta da dupla Gre-Nal e acham caro pagar R$ 70,00 por uma da dupla Rio-Rita, gastam mais de uma centena de reais pra ir a capital assistir a um jogo e reclamam do ingresso a R$ 10,00 em Rio Grande. São coisas que não dá para entender.
Não estou dizendo que não devemos ter uma preferência clubística na capital, até por que isso é uma cultura do futebol, mas tenho convicção que temos que ter como primeira opção um clube de nossa cidade e se temos que consumir algo, que seja dos clubes daqui, pois são eles que representarão a cidade do Rio Grande e a nossa comunidade.
Sendo assim, digo que cada sociedade tem o futebol que merece e se atualmente vivemos um momento tão pobre no que diz respeito aos clubes de futebol é por que nossa sociedade (a população, forças políticas e econômicas) assim o quer. Enquanto isso continuemos assistindo jogos pela televisão e ouvindo saudosas histórias das conquistas dos nossos, um dia grandes, clubes riograndinos.