08 fevereiro 2009

Lugar de mulher é... no estádio!

É público e notório que vivemos numa sociedade patriarcal e machista. Isso até pode não ser mais tão explícito como há algumas décadas atrás, mas muitos atos cotidianos camuflam situações – tornando-as sutis – em que as diferenças de gênero ficam bem evidenciadas.
Todavia, a mulher, veio conquistando o seu espaço na sociedade, inclusive nos ambientes em que se tem, ou se tinha, por único e exclusivo dos homens. Quer frase mais corriqueira do que: “futebol é coisa pra macho!”? Até bem pouco tempo, tal “lenda” não era discutida e todos a aceitavam com a maior naturalidade.
Contudo, o futebol, assim como outros ramos sociais, vem se tornado um espaço de profissão e de lazer também para as mulheres. Jogadoras, árbitras, comentaristas, preparadoras físicas e, é claro, torcedoras constituem o futebol de nosso tempo. Quem sabe em breve não teremos também treinadoras? Se é que elas já não se fazem presente sem o meu conhecimento!!!
Aqui mesmo em Rio Grande temos o caso da preparadora física do FBC Riograndense, Débora Freitas, que é a segunda mulher na história a ser preparadora física de um clube profissional da cidade. A primeira foi Cleusa Maia, que atuou no S. C. São Paulo na década de 70.
Outro fato que quero chamar atenção é a presença feminina nos jogos do S. C. São Paulo. Desde o ano passado, em que a cidade passou por uma Sampamania, muitas mulheres passaram a frequentar o Aldo Dapuzzo, além disso, muitas passaram a fazer parte das torcidas, antes, muitas vezes, marginalizadas, o que afastava mulheres e famílias que iam ao estádio e se posicionavam longe dessas aglomerações.
Faço tal ressalva para demonstrar que a presença das mulheres ainda nos causa espanto e desconfiança quando o cargo lhes exige responsabilidades. A cultura que aprendemos de que “futebol é coisa pra homem” está tão impregnada em nossa carapaça social que ainda estranhamos as meninas que jogam bola, as árbitras que apitam o jogo do nosso time, a profissional responsável pela preparação física dos atletas que torcemos, a mulher que comenta uma partida de futebol ou ainda as meninas que pulam e cantam do nosso lado em uma torcida.
Alguém pode dizer: mas isso é normal! Normal desde quando? Temos que admitir que a presença feminina no futebol ainda nos causa espanto – tanto aos homens quanto às mulheres – tanto é que a participação de uma preparadora física no Riograndense rendeu uma enorme reportagem nas páginas centrais e capa do caderno “Mulher Interativa” do Jornal Agora, de sete e oito de fevereiro deste ano. E eu não estaria escrevendo sobre a presença feminina nos jogos do São Paulo se eu não tivesse escutando tantos comentários sobre tal fato.
Por fim, sejam muito bem vindas mulheres! O espetáculo apaixonante do futebol também é pra vocês!!!

2 comentários:

  1. Gostei muito do texto, Leonardo!
    Nós, mulheres, estamos conquistando muitos espaços, mas mesmo assim somos "notícia" quando adentramos em um ramo caracterizado culturalmente como masculino,como foi o caso da notícia em páginas duplas, centrais e capa da preparadora física Débora. Isso só demonstra o quanto a nossa sociedade, muitas vezes sem querer,se espanta com nossas conquistas. Qto aos estádios, estamos chegando,sim, para tocer, jogar e opinar!
    O "futebol de batom" está em alta!!!

    ResponderExcluir
  2. Adorei o texto...
    sou preparadora de um time de futebol de minha cidade e sei da dificuldade que é seguir essa carreira sendo mulher...!
    Mas aos poucos as mulheres vao conquistando seu espaço...
    Abraço!

    ResponderExcluir