29 janeiro 2009

Torcer “à brasileira” ou “à argentina”?

Para quem torce de verdade para um time de futebol, não há nada melhor do que a festa de sua torcida; é lindo e emocionante ver o espetáculo que as torcidas fazem quando um time entra em campo ou é feito um gol. Bandeiras, faixas, rolos de papel, fogos, luzes, fumaça, papel picado, batucadas e cantos, muitos cantos. Para quem já teve a oportunidade de ficar pulando e cantando junto com uma massa fervorosa e apaixonada sabe do que eu estou falando.
Tradicionalmente as torcidas brasileiras se caracterizaram por bandeirões, faixas penduradas e por suas empolgantes charangas, que misturavam ritmos carnavalescos com “gritos de guerra” das torcidas.
Por outro lado, vemos que desde 2001, a torcida do Grêmio e mais tarde a do Internacional passaram a torcer de maneira semelhante aos nossos hermanos (argentinos e uruguaios) – há quem diga que tal estilo foi inventado pelos mexicanos.
Ou seja, multidões se posicionam atrás dos gols, com barras de tecido estendidas entre as pessoas, centenas de bandeirinhas pequenas, alguns instrumentos de percussão e muita disposição para entoar, sem parar, os cantos, que, diga-se de passagem, são muito contagiantes.
Essas torcidas chamadas de Barras Bravas, ou esse estilo de torcer “argentinizado” acabou por se dizimar pelo estado do Rio Grande do Sul e mais recentemente pelo Brasil. Sendo assim, nossa cidade – Rio Grande – não ficou de fora desse novo estilo de torcer.
Todos conhecem a fama da torcida do Sport Club São Paulo, como diz o trecho do seu hino, “Tua torcida se inflama, exalta a fama por onde ela fora”, seja pela sua paixão, pelas suas excursões pelo estado e, infelizmente, também pelos seus conflitos violentos – coisas do passado, graças a Deus – com outras torcidas, principalmente da vizinha cidade de Pelotas. Contudo, no ano do centenário do clube (2008), surgiu uma nova torcida no São Paulo, os Leões do Parque, que fugiu totalmente do jeito tradicional de torcer que até então os rubro-verdes e a comunidade riograndina estava acostumada.
No estilo das Barras Bravas argentinas, os Leões do Parque, apesar de seu início tímido, não paravam de cantar e batucar um instante se quer. Aos poucos outras pessoas foram se aglutinando ao movimento e eles passaram a encantar e agitar os jogos do São Paulo na 2ª divisão gaúcha e continuaram pela Copa RS.
E é justamente aí que eu quero chegar. Enquanto na 2ª divisão as duas torcidas ficavam bem separadas, cada uma torcendo no seu estilo, uma mais “à brasileira” e a outra “à argentina”, na Copa RS o que percebi foi o desaparecimento da tradicional torcida e a ocupação, inclusive de espaço – atrás do gol – da nova torcida, que antes ocupava um lugar mais “escanteado” na arquibancada.
Fico assim com algumas dúvidas. Voltaria à tradicional torcida para o campeonato estadual que está prestes a começar? Ou os Leões do Parque vieram pra ficar e se caracterizarão como o novo jeito de torcer rubro-verde?
Isso só o tempo dirá! Mas que apesar de nós brasileiros não gostarmos muito dos argentinos quando o assunto é futebol, uma coisa temos que dar a mão a palmatória: eles sabem torcer como ninguém e não há quem não se empolgue com seus cantos. Então não há nada de mal em reproduzir o que é bom, o que é bonito.

VALE A PENA CONFERIR!!!
http://www.leoesdoparque.com.br/

7 comentários:

  1. Realmente, esse fenômeno merece um olhar atento e rende um estudo bem interessante. O que me chama atenção tbm, é que a Barra Brava é constituída tbm por mulheres e nenhuma delas sofre nenhum tipo de agressão verbal como acontece geralmente com as torcedoras no futebol. Ponto para eles!
    A organização desta torcida tbm é exemplar: distribuem panfletos com seus cantos para os torcedores, não apenas para seus membros.
    Para mim, que tive o privilegio de ver esta torcida incessante em ação, ela veio para ficar!
    Palavras de quem não entende muita coisa... mas sabe o que é bom!!!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá, sou um dos organizadores da torcida, desde seu início, lá no começo da campanha da segundona.
    Começamos entre 10 pessoas mais ou menos, no início da ferradura, lá em cima, com instrumentos emprestados e improvisados, sem nada além de nossas vozes.. Depois, conseguimos um espaço naquela curva em cima da copa, ainda com instrumentos emprestados, porém, já contando com as famosas barras, alguns materiais mais complicados de se conseguir, como sinalizadores, e um grupo maior de pessoas ao nosso lado. Com muito esforço e dedicação, não só à LDP, mas ao São Paulo, organizamos algumas ações (tais como rifas, etc) e conseguimos comprar nossos próprios instrumentos: 3 bumbos e 2 taróis.
    Com o início da Copa RS, a famosa charanga deixou de aparecer e nós decidimos tomar o lugar atrás do gol e é onde pretendemos ficar daqui pra frente, como um "prêmio" ao nosso esforço.
    Mesmo nesta pré-temporada, nós seguimos com o movimento, e já conseguimos por no ar o nosso site e a confecção de mais uma barra (além das duas que usamos durante 2008 inteiro). Além também de toda preparação pros jogos do Citadino, que serão realizados agora em fevereiro, e pra Segundona, que começa em março. Posso adiantar que estamos preparados pra tornar o Dapuzzo em um verdadeiro caldeirão.

    Gostaria de deixar o meu agradecimento aqui em nome de todos da Leões do Parque, pois ler esse tipo de texto, além do comentário da Rita neste espaço, é gratificamente e motivador para seguirmos com o nosso movimento, tão somente no intuito de erguer o São Paulo e leva-lo aonde ele merece estar: entre os grandes do estado.

    Grande abraço!

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  4. Em tempo: postei sobre teu texto em nosso site, http://leoesdoparque.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=77:blog-sobre-futebol-riograndino-faz-referencia-a-ldp&catid=34:noticiasldp&Itemid=55

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  5. Ficamos lisonjeados com a lembrança, Leonardo.

    Faço parte da equipe editorial do Site da LDP e é com muita satisfação que postamos o seu artigo por lá.

    Realmente, estamos com muitas expectativas pelo ano que segue. Esperamos que este seja o ano do acesso e estamos planejando muitas coisas para atrás daquele gol do Dapuzzo.

    Mais uma vez, deixo aqui o nosso agradecimento pela menção.

    Sds,
    Tiago G. Collares.

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  6. Leonardo, favor entrar em contato comigo pelo e-mail: holden.caulfield84@gmail.com

    Abraço,
    Tiago G. Collares.

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